sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Demétrius. Amigo cujo nome provém de tão diferente fruto na sociedade brasileira de 2010. Resolvi lhe escrever mesmo após sua morte. Perdoe-me se for de mau gosto, ou se zombaria de mim, por escrever para você ao pé de seu tumulo. Sabe, seu tumulo não está em um cemitério -  não sei se sabe disso.
Você realmente está debaixo da terra e essa sensação de leveza que o vento dá quando chego até seu leito, é inenarrável.
     Muitas vezes te imaginei vagando por este mosteiro, e eu me sinto como se realmente tivesse lhe conhecido. Cuidadoso e estudioso de seus escritos – que só os achei na biblioteca desse palácio em volta desse cemitério natural de arvores – achei que devesse também compartilhar de algum algo meu.
    
      Esta é a primeira vez que me ajoelho para realmente murmurar (talvez rezar). Para ser sincero com você, minha mente é pesada demais para o meu corpo. Ou é só mais uma tolice de mais um tolo.

Não existe norte para o sentimento das pessoas. É um mapa que a bússola é uma matemática e geografia ao contrário. Só sabe que existe porque vê, e talvez nem a visão seja confiável quando se precisa de óculos. Os óculos são materiais. A visão é um pré-conceito. O sentimento é uma mentira.
      Nada disso tem valor. As ruas, os carros – o som dos carros –, os pássaros, as plantas do cemitério, as flores que as senhoras vendem na frente do cemitério. As pessoas que choram por quem já virou ossos; as pessoas que choram por amor – Há pessoas que sofrem por amor.
      Amor. Até sempre a ficção tratou disso. Amar, no entanto, se parece como uma segunda fé. A fé e o amor – nas mais diversas formas. Podem ser consideradas doenças inevitáveis aos homens, ou só um conceito – ou vários conceitos.
      A fé é a fé, já o amor é um mapa sem norte. Uma bobagem artificial.

Foi assim que me fiz Monge.